segunda-feira, 8 de abril de 2013

Desperdício de recursos: Administração da Estrutural gastou 100 mil em ciclovia abandonada


Ciclovia é apenas uma das reclamações da populaçãoCiclovia é apenas uma das reclamações da população Foto: Elton Santos/Guardian Notícias
A insatisfação pode representar o sentimento de boa parte dos moradores da Estrutural, em relação à Administração local. Os motivos são vários e foram relatados por residentes e comerciantes. Os problemas vão da falta de execução de obras a brigas judicias por terrenos. Os moradores reclamam ainda da falta de diálogo com a chefia local.

Em um dos casos, a construção de uma ciclovia causou revolta de comerciantes locais. Isso por que a obra não atende à vontade da população. O valor destinado para esta finalidade era de R$ 100 mil. Foram empenhados R$ 97,8 mil. Esta obra deveria ter sido feita em toda marginal da Via Estrutural, onde se localiza um duto da Petrobrás.

A Administração não informou quantos metros foram construídos. E também não disse quanto do orçamento, especificamente, foi executado no ano passado.

A ciclovia foi construída em apenas um trecho, mesmo assim, moradores dizem que são contra a obra. Como a área foi constituída informalmente como de comércio – e nas próprias contas, a CEB e Caesb cobram como área deste segmento -, um grupo pedia um estacionamento. Atualmente os carros param no meio da rua.

Os próprios moradores chegaram a apresentar um projeto para se colocar a ciclovia do outro lado do duto, entretanto, a proposta não foi acatada pela administração. A justificativa era de que ficaria muito próxima a uma via movimentada.

De acordo com a gerente da Administração da Estrutural, Ana Lúcia Marques, o estacionamento não foi construído por orientação. “Foi feita uma consulta à Petrobrás e eles proibiram as vagas para carros, mas não a ciclovia”, afirmou.

Ela disse ainda que a pista para ciclistas foi construída por iniciativa da administração, mesmo com o projeto da Novacap de construir outras vias no DF. Atualmente, a ciclovia está com mato alto e não é utilizado por moradores.

Sem proteção – Os abrigos de uma das passarelas na via Estrutural é outro motivo de reclamação. Segundo moradores, havia seis plataformas, mas duas foram quebradas por servidores da empresa que montaria o ponto de ônibus. Partes da parada está lá há pelo menos quatro meses, atrapalhando a visão de quem espera por transporte.

Sobre isso, a gerente disse que as plataformas dos abrigos são doações e já eram frágeis. Por causa disso, a empresa acabou quebrando os abrigos na hora da locomoção. Apesar de questionarmos por várias vezes, a gerente não disse se a empresa que danificou era terceirizada da própria administração ou do DER, responsável pela Via Estrutural.

Mudança de destinação – Na gestão da atual administradora Maria do Socorro Torquato – esposa do presidente regional do PT, Roberto Policarpo -, a mudança de destinação de áreas também é um problema. Enquanto as mães da cidade gostariam de ter uma creche pública, Socorro achou por bem construir um Ponto de Encontro Comunitário (PEC) ao invés de uma instituição para abrigar crianças.

Foi o que aconteceu na antiga quadra 9 da cidade onde construíram uma PEC. A assessoria local disse há um projeto para a construção da creche nesta mesma área. E informou que deslocaram os equipamentos por alguns metros para erguer a unidade infantil.

Em outra quadra da cidade, era para ter sido construído uma creche comunitária também. Entretanto, a administração colocou um campo de gramado sintético no lugar. A justificativa da assessoria é de que a área precisaria ter pelo menos três mil metros quadrado para uma unidade infantil. E é neste ponto que a confusão começa.

A área teria mais de quatro mil metros quadrados, segundo um ex-servidor da administração que preferiu não identificar seu nome. Segundo ele, no mapa realmente havia a intenção de construir, mas não houve uma justificativa plausível para mudar de ideia.

A briga pelo espaço foi parar na justiça. Isso por que a administração construiu a quadra numa área particular. O terreno pertence ao instituto filantrópico SOS Vidas e tem na verdade nove mil metros quadrados. O dono do lote está no local há pelo menos vinte anos e paga o IPTU respectivo a área. A instituição presta serviço social e dá cursos de pintura.

Neste caso, a administração disse que “não há nada nesta área” e que o terreno é da Terracap. Segundo a gerente Ana Lúcia, se houvesse impedimentos não teria projetos no GDF e não teria sido construído o campo sintético. Ela confirmou que a intenção era realmente construir a creche, mas por falta de espaço não haveria possibilidade. Isso por que no projeto, o lote é divido em quatro partes.

Mas segundo o responsável pela instituição, Giovani Pignot, a terra é sim de propriedade da SOS Vidas e todo mês recebe as faturas de água, luz e territorial. Coincidência ou não, apesar da gerente afirmar que não havia nada na área, quando se entra na sede da administração, um dos quadros que enfeitam o local é de autoria de uma das pintoras da instituição.

Mais do que a mudança de destinação, as ações locais contrariam a vontade da própria população. No Orçamento Participativo, referente ao biênio 2012/2013, a prioridade maior dos participantes era a construção de três creches comunitárias. Nenhuma foi erguida até o momento. A Administração disse que já achou duas áreas e apresentou para a Secretaria de Educação e a proposta foi encaminhada ao MEC.

Mais problemas – Outra situação que pode ser constada na cidade é a falta de roçagem. Até mesmo nos postos policiais e de saúde, o mato está alto. A administração informou que servidores do quadro foram preparados para operar aparelhos de corte de grama para trabalhos pontuais. Na unidade de saúde local, até tinta para impressora está faltando para imprimir marcações de consultas. Ou seja, os pacientes que já esperam dias para serem consultados contam com amis esse empecilho para serem atendidos.

Não bastasse as reclamações de moradores por questões de gestão da administradora Maria do Socorro Torquato, lideranças comunitárias estão criticando a chefe local por tentar impedir uma reunião que o deputado distrital Agaciel Maia quer promover ainda neste mês na cidade. O objetivo é ouvir os descontentes em relação a falta de obras na região.
Por Elton Santos
Reprodução: Joseny Lopes 08.4.2013
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