quarta-feira, 8 de maio de 2013

SIM: Joaquim Barbosa e as meias verdades (dele) sobre a mídia



por Geraldo Seabra Filho

Foto: Arquivo Notibras
Foto: Arquivo Notibras

Ao afirmar durante discurso na Costa Rica, na SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa), na semana passada, que os três principais jornais do País – O Globo, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo – são “todos mais ou menos inclinados para a direita”, sob o ponto de vista ideológico, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Joaquim Barbosa, disse apenas uma meia verdade.
Sua excelência se esqueceu de acrescentar algo mais grave: o enorme poder de influência que esses jornais têm sobre as instituições nacionais, inclusive o STF. E que usam dessa influência ao seu bel prazer, sempre ao perceberem contrariada a parcela da sociedade brasileira que representam – aquela instalada no ápice da nossa pirâmide social.
O exemplo mais notório é do julgamento do mensalão, ocorrido no ano passado, em pleno período eleitoral. A imprensa tanto pressionou que o julgamento ocorreu paralelamente às eleições, com o objetivo indisfarçado de atingir as candidaturas do PT. Os jornais exigiram, e os ministros do Supremo inovaram condenando os acusados por indícios, apesar da ausência de provas.
O ministro que ousou discordar da mídia, como o relator-revisor Ricardo Lewandovski, caiu em desgraça. De tão criticado e ridicularizado pelos jornais, Lewandovski chegou a ser hostilizado por eleitores quando se apresentou para votar na sua sessão eleitoral, em São Paulo, no pleito municipal de 15 de novembro.
Outro que já sofre um patrulhamento desses jornais é o ministro Teori Zavascki, empossado recentemente e que vai participar do julgamento do mensalão na fase de recursos dos réus. Os jornais já descobriram que lá pelos idos de 1994, membro do STJ (Superior Tribunal de Justiça) o ministro Zavaski defendeu que a cassação de mandato de parlamentar condenado em ação criminal cabe ao Congresso, e não ao STF, ao contrário do que entendeu a Corte em dezembro, nos últimos dias do julgamento.
Nessa ocasião, o STF decidiu por cinco votos a quatro pela perda dos mandatos dos deputados José Genoíno (PT-SP), João Paulo Cunha (PT-SP), Waldemar Costa Neto (PR-SP) e Pedro Henry (PP-MT). Nesta fase de recursos, se o Supremo voltar a discutir a questão e o ministro Zavaski sustentar a posição que defendia no passado, o empate na votação beneficiará os réus, hipótese que desagradará fortemente aos grandes jornais.
Já o ministro Joaquim Barbosa foi ganhando notoriedade na imprensa na medida em que se afastava das qualidades que levaram o presidente Lula a nomeá-lo para o Supremo, e ia aos poucos moldando o seu currículo ao gosto dos jornais agora criticados, confirmando a condenação prévia dos réus pela imprensa, ao ponto de merecer o convite para falar na assembléia da SIP, entidade que reúne os donos dos jornais no continente.
Em sua fala, Barbosa também se esqueceu de apontar que a mídia tem um comportamento atípico no Brasil, onde exerce atividade político-partidária e se coloca em franca oposição ao governo federal. Quanto mais a popularidade da presidenta Dilma Rousseff cresce, por exemplo, mais os jornais citados pelo presidente do STF batem nela.
Essa situação esdrúxula foi observada em março em reportagem do jornal americano Los Angeles Times. Seguem-se alguns trechos da matéria:
“Quando o presidente esquerdista João Goulart foi deposto pelos militares brasileiros em 1964, a grande mídia da Nação, controlada por algumas famílias ricas, celebrou.
“Desde 2003, o Brasil tem sido governado pelo esquerdista Partido dos Trabalhadores, conhecido como PT, que não se envolveu com a mídia.
“Mas as publicações e emissoras de TV, ainda controladas pelas mesmas famílias, têm sido críticas do partido, apesar da aprovação pública da presidente Dilma Rousseff chegar a 78%.
“Nenhuma grande publicação dá apoio a ela, com alguns jornais e revistas particularmente duros em suas críticas.”
A má vontade da imprensa com Dilma se explicita no proselitismo político em favor do PSDB, que ocupa manchete por menos importante ou inconsistente que seja a crítica ao governo, ou o assunto tratado por um de seus membros.
Essa má vontade também se evidencia no espaço que esses mesmos os jornais abrem em suas páginas para eventuais dissidências na base do governo, como a do governador Eduardo Campos (PSB), de Pernambuco, que ameaça se candidatar a presidente contra Dilma.
É desta forma, cujos detalhes passaram despercebidos pelo ministro Barbosa em sua fala na assembléia da SIP, que a imprensa, controlada por poucas famílias, atua no Brasil. Parodiando Bismarck, autor da frase “Ah, se o povo soubesse como são feitas as leis e as salsichas”, podíamos afirmar, sem medo de errar: “Ah se o povo soubesse como são feitos os jornais e os julgamentos em nosso País”.
joseny cândido 0852013
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