quarta-feira, 22 de maio de 2013

SIM: Depois de vencer no Mané, Luiz Estevão mira urnas em 2014


Depois de vencer no Mané, Luiz Estevão mira urnas em 2014

 por Max de Quental 
Foto: Google Imagens
Foto: Google Imagens

A inusitada inauguração do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha produziu uma cena impensável tempos atrás. Antes de falar sobre o fato inaugural, devemos exumar outros acontecimentos que marcaram a história recente do Distrito Federal. No dia 28 de junho de 2000, pela primeira vez no Brasil, foi cassado um senador da República: Luiz Estevão.
De lá para cá, o empresário e ex-senador investiu em outra carreira até sagrar-se um bem-sucedido cartola do futebol candango, com o time Brasiliense, que acumula bons resultados desde que Estevão tomou a frente da agremiação. Mas isso ele faz muito bem. O universo do futebol brasileiro é rico em produzir desmandos, desvios, desorganização, onde é necessário estar de olhos abertos para não perder os dedos, além dos anéis.
Para mergulhar em um cenário assim, impor métodos pouco ortodoxos e faturar com a renda de um estádio próprio e direitos de transmissão, só mesmo se tiver o estilo Luiz Estevão de ser. O tempo passou, ele foi condenado a penas que somam 30 anos e 8 meses de reclusão por peculato, estelionato qualificado, corrupção ativa, uso de documento falso e formação de quadrilha, pelo desvio de R$ 170 milhões das obras do TRT de São Paulo. Enquanto o Superior Tribunal de Justiça construía as razões para desprover um recurso especial feito pelos advogados de Estevão, o Brasiliense angariava vitórias nos campos de futebol.
No dia 18 de maio de 2013, após consumir 1,5 bilhão de reais, o Estádio Nacional Mané Garrincha foi inaugurado pela presidenta Dilma Rousseff e pelo governador Agnelo Queiroz. A solenidade aconteceu na parte da manhã e à tarde um jogo aberto a 20 mil torcedores iniciou o primeiro teste da Fifa para homologar a arena majestosa.
O jogo escalado para a ocasião foi a final do campeonato candango: Brasiliense x Brasília.
A partir de uma grade previsível, uma vez que o time de Estevão necessariamente estaria em uma final, a pergunta que circulou na cidade foi a seguinte: Agnelo Queiroz vai entregar a taça a Luiz Estevão em caso de vitória de seu time? Além de fomentar uma legião de fãs, o Brasiliense traz mais resultados positivos que o Brasília atual. E Estevão prometeu aos jogadores 3 vezes o valor do bicho, cash, em moeda corrente como ele sempre faz.
Com atraso, o jogo foi iniciado. As torcidas se mesclavam nas cadeiras do anel inferior. Genitoras foram lembradas, tanto do juiz quanto do cartola. Mas no final prevaleceu o placar favorável ao time do ex-senador: 3 x 0. Fato significativo é saber que o Brasília é o time do coração de Agnelo no Distrito Federal. Orbitam a sua equipe preferida dirigentes muito próximos ao Buriti.
Como habilidoso atacante em peladas amistosas, Agnelo sentiu muito a derrota do Brasília para Luiz Estevão. Afinal, conduzir uma obra de 1,5 bilhão de reais, considerada uma das mais modernas em todo o mundo, elogiada pelo boss da Fifa e ter que produzir a primeira foto oficial do estádio sorrindo ao lado de Luiz Estevão assustou sua assessoria, que deveria ter pensado nisso antes.
O Maracanã foi inaugurado com uma pelada de velhinhos acabados e pronto! Era apenas um primeiro teste, mas a ironia e a sorte de Estevão continuam andando juntas. Ele venceu o campeonato na casa de ouro de seus maiores adversários políticos e quem pagou a conta foi o PT. Fez barba, cabelo e bigode.
O fato é relevante. Luiz Estevão agora não é apenas dono do Brasiliense, da maior fortuna do DF, da maior condenação, mas também do PRTB, um partido político recentemente adquirido por ele e presidido por uma de suas filhas. Após vencer no gramado do arqui-inimigo, ele jura que vai vencer no campo das urnas.
Seria conveniente a assessoria do Buriti refletir melhor sobre futuras inaugurações... 
joseny lopes 23052013
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