segunda-feira, 15 de julho de 2013

Aliados mais fiéis enterram o plebiscito

Aliados mais fiéis enterram o plebiscito


A pá de cal sobre o abaixo-assinado que hoje representaria a última esperança de sobrevivência do plebiscito da presidente Dilma Rousseff será lançada pelas bancadas dos três solitários partidos que ainda dão apoio à tese. Além do PT, só PDT e PCdoB prometem apoio ao abaixo-assinado. Sem chances, acredita o senador brasiliense Cristovam Buarque. Conhecedor do pensamento dos pedetistas, Cristovam aposta que a maior parte de sua bancada não assinará o requerimento de plebiscito. Tanto petistas quanto comunistas também duvidam de unanimidade em suas legendas. De quebra, são necessárias 171 assinaturas. Caso as três bancadas fiquem coesas, sem uma defecção sequer, somariam 128. Por fim, o Congresso já estará esvaziado esta semana.

Sucessão é outra coisa

O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi (foto), revelou durante jantar na casa do senador Acir Gurgacz, de que Cristovam Buarque participou, que teve uma longa conversa com a presidente Dilma, ao lado do ministro do Trabalho, Manoel Dias, que pertence ao partido. Disse-lhe que o PDT lhe prestava integral solidariedade neste momento. Isso não significaria, porém, compromisso de integrar a coligação que apoiará a candidatura de Dilma à reeleição. “2014 é uma outra coisa”, avisou Carlos Lupi. 

Plebiscito, mas não aquele

Restrição semelhante é aplicada por Lupi — e pelo PDT— ao plebiscito. O partido apoia a tese. Defende que se faça um plebiscito. No entanto, explica Cristovam, “não seria necessariamente aquele plebiscito desenhado por Dilma”. Ao lançar a ideia, a presidente listou as emendas que constam de um pacote do PT. O PDT não compartilha essa proposta.  Caso subscreve projeto de plebiscito, os integrantes do partido querem compor eles próprios as perguntas a se fazer ao eleitorado.

Café também sem açúcar 

Todo bar ou restaurante do Distrito Federal que oferecer café aos consumidores estará obrigado, imagina só, a ter disponível também café sem açúcar. A exigência consta de projeto de lei apresentado pelo distrital Doutor Michel e vale tanto para os que servirem café grátis quanto para os que cobrarem por ele. Doutor Michel explica: pelas estatísticas oficiais, 7% dos brasileiros são diabéticos, mas suspeita-se de que essa proporção é muito maior. E, se houver só café com açúcar o diabético pode cair em tentação e consumi-lo assim mesmo. 

Passaporte para meio bilhão

Consta que, em uma das conversas que teve com o líder chinês Deng Xiaoping, o presidente norte-americano Jimmy Carter criticou o descaso do governo da China pelos direitos humanos e, inspirado, citou a  falta de liberdade para ir e vir. Deng matou a pau. Virou-se para Carter e respondeu: “Se é isso, não teremos problemas; dou agora mesmo passaporte para meio bilhão de chineses, se quiserem, ir para os Estados Unidos”. Só restou a Carter calar o bico. Nunca se saberá se essa história é mesmo verdadeira. Mas está bem no espírito do pragmático e preciso Deng, tema de biografia lançada há pouco nos Estados Unidos e que pode chegar ao Brasil ainda este ano. Chama-se Deng Xiaoping and the Transformation of China e foi escrito pelo sociólogo Ezra  Vogel, professor de Harvard.

Influência tão ampla

Ao encerrar seu livro, e bem no espírito de Deng, Vogel deixa no ar duas questões que deixam transparecer sua admiração pelo biografado. Ele pergunta se algum outro líder do século passado fez tanto para melhorar a vida de tantos. E pergunta também se algum líder desse século teve influência tão ampla e duradoura na história mundial. Difíceis questões, tendo em vista que entre esses figurões estão Stálin, Roosevelt, Hitler, Mao, Gandhi, Henry Ford, Keynes e até Bill Gates. 

O erro sistêmico da China

Vogel mostra que, no seu exílio interno durante a perseguição ocorrida na desatinada Revolução Cultural, Deng concluiu que havia uma espécie de erro sistêmico na China: sua pobreza e estagnação não se deviam à falta de planos econômicos, mas a seu atraso tecnológico e a seu isolamento da cena internacional, sem falar no péssimo sistema de ensino. Conduziu então à abertura econômica, com a adoção de instituições  capitalistas radicais mesmo mantendo um sistema político rigidamente comunista. Deu certo — para Deng. A China que ele deixou é uma sociedade cada vez mais urbana. E muito mais rica, ainda que a maior parte da população permaneça tão pobre quanto antes. 

Nem um é do bem, nem o outro do mal

É lógico que História não é juízo de valor. Mas a ideia de um “Deng do bem”, contra um “Mao do mal”, como se dá frequentemente a entender, nada tem a ver com a realidade. Tudo bem, Deng não mandava matar os adversários políticos. Mas adotou políticas que levaram milhões de pessoas à morte ou participou delas. Participou como comandante militar da tomada de poder pelos comunistas, que custou entre dois e três milhões de mortes. Com Mao no poder, foi executor do chamado Grande Salto para a Frente, em que morreram de fome 45 milhões de camponeses. Já no poder, deu as ordens para o massacre da Praça da Paz Celestial, tomadas em um protesto que se parecia em muito com as manifestações de rua vividas hoje pelo Brasil. 
Fonte: Do Alto da Torre

JOSENY - 15072013
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