quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Opção: mundo do crime

Opção: mundo do crime


Isa Stacciarini
isa.coelho@jornaldebrasilia.com.br

A criminalidade não se restringe a uma classe social ou região. Muito além de um estereótipo de que   autores de crimes violentos sejam de baixa renda, não são raras as vezes em que brasilienses de classes média e alta vão parar atrás das grades por conta destes delitos.  Foi o que aconteceu com os supostos autores do homicídio do morador de rua Edvan Lima, 49 anos, no Guará. 


O sem-teto morreu com 63% do corpo queimado após ter sido  atacado por jovens de 15, 17  e 18 anos. A menina do grupo, de 17 anos, seria filha de um policial federal. Segundo a polícia, eles não mostraram arrependimento pelo crime.

Caso semelhante aconteceu há 16 anos, quando, por brincadeira, cinco jovens atearam fogo no índio Galdino Jesus dos Santos, que teve 95% do corpo incendiado e morreu. Os réus foram condenados a 14 anos de prisão, mas cumpriram  apenas oito anos.  

A professora do Departamento de Antropologia da Universidade de Brasília (UnB)  Lia Zanotta  considera a sensação de impunidade  como um dos fatores que contribuem para  a criminalidade entre classe média. “Eles  se consideram poderosos politicamente e economicamente, inclusive se acham superiores à própria lei”, ressalta.

A antropóloga  avalia que o   histórico da Justiça brasileira contribui para o pensamento de que os ricos são privilegiados e os pobres, punidos.  “Crimes contra a vida de moradores de rua são um modo de exclusão por parte de jovens ricos. Eles consideram que as  pessoas  de diferente classe social  não fazem parte do vínculo social, pois não seguem o mesmo estilo de vida”.

Nas ruas, não é difícil encontrar quem compartilhe a opinião da antropóloga.  O casal Leo Silva, 28 anos, e Laís Teles, 25, acredita que a lei favorece os mais ricos. “Os criminosos de classe  alta geralmente têm   conhecidos no funcionalismo público e a punição se torna irrisória”, acredita Leo. “Eles   justificam  dizendo que foi uma brincadeira, um passatempo. Chega a ser preocupante”, ressalta Laís.

Vingança

Apontada como mentora do crime, a menor de 17 anos disse que queria se vingar, pois teria sido assaltada. Mas ela não sabe se o ladrão era Edvan. O trio foi flagrado por câmeras comprando gasolina.

Apreensões aumentam 13%

Anualmente, são apreendidos de seis mil a sete mil menores no DF. Em 2012, 1.094 jovens foram internados provisoriamente, segundo dados da Vara da Infância e da Juventude do DF (VIJ-DF). O aumento é de 13,2% em relação a 2011.

Diante disso, a redução da maioridade penal volta a ser alvo de discussões. Para o titular da 5ª Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude do Ministério Públicio, Nino Franco, as medidas socioeducativas  são “suaves” e, por isso, acabam por incentivar a prática de infração. 

Por outro lado, o presidente da Comissão de Ciências Criminais e Segurança Pública da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF), Alexandre Queiroz, é contra a redução. Para ele, não existe nenhum estudo que  aponte a diminuição da violência por conta da medida.
Fonte: Da redação do clicabrasilia.com.br

JOSENY LOPES 22082013
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