quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Polícia Civil vai instaurar inquérito para apurar se houve abuso ou excessos da PM em confronto em frente à 9ªDP

Polícia Civil vai instaurar inquérito para apurar se houve abuso ou excessos da PM em confronto em frente à 9ªDP

  • Bombas de gás lacrimogêneo foram lançadas contra manifestantes que se concentravam próximo à delegacia do Catete
  • No caminho para a delegacia, os manifestantes voltaram a deixar um rastro de destruição
  • Vinte e nove pessoas foram presas. Todas já foram liberadas

Correria em frente à 9ª DP (Catete), onde policiais e manifestantes voltaram a entrar em confronto Foto: Pedro Kirilos / Agência O Globo
Correria em frente à 9ª DP (Catete), onde policiais e manifestantes voltaram a entrar em confronto Pedro Kirilos / Agência O Globo
RIO - O diretor do Departamento Geral de Polícia da Capital, delegado Ricardo Dominguez, está na 9ªDP (Catete) para avaliar os estragos causados na delegacia pela Polícia Militar na noite desta quarta-feira. Após encontrarem um bloqueio mais intenso de policiais militares na Rua Pinheiro Machado, em Laranjeiras, os cerca de 300 manifestantes que protestavam no início da noite contra o governador Sérgio Cabral seguiram em passeata até a porta da unidade policial, para onde tinham sido levados os 29 detidos pela polícia durante o protesto. Lá, por duas vezes, perto das 22h e das 22h50m, houve confrontos entre manifestantes e PMs. Dominguez informou que um inquérito está sendo instaurado para apurar se houve abuso de autoridade, ou excessos praticados pela PM. De acordo com testemunhas, policiais dispararam tiros de bala de borracha, que atingiram a porta de vidro da unidade. Bombas de gás também foram lançadas contra manifestantes e advogados da OAB que estavam na porta da delegacia. Vários policias dentro da unidade passaram mal com o forte cheiro de gás. Outras quatro acusações contra a PM, que ainda não foram divulgadas, também serão investigadas. Dominguez disse ainda que o comandante da operação será chamado para prestar depoimento. Advogados da OAB também irão depor. O delegado chegou a chamar a Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) para substituir a PM no monitoramento da manifestação.
O primeiro confronto em frente à 9ª DP aconteceu quando PMs do Batalhão de Choque (BPChoque) chegaram à delegacia com mais um homem preso. Os manifestantes queriam saber o motivo da prisão e cercaram os policiais. Para dispersar a multidão, a polícia lançou bombas de gás lacrimogênio e disparou tiros de balas de borracha. Intoxicado por gás, um socorrista que atendia um homem atingido por uma bala de borracha na coxa direita passou mal e caiu no chão.O socorrista se recuperou, mas o homem atingido pela bala de borracha foi levado por uma van do Corpo de Bombeiros.
Por volta das 22h50m, no novo confronto, manifestantes se abrigaram dentro da 9ªDP para fugir de ataques de gás lacrimogêneo e de disparos de balas de borracha. Mesmo com pedidos dos manifestantes para que parassem, a polícia continuou atirando e foi atrás de um grupo que saiu correndo pela Rua do Catete, em fuga da 9ªDP. Policiais da companhia de cães foram para o local.
Nos enfrentamentos, parte da porta de vidro da 9ªDP foi estilhaçada. Os manifestantes acusam os policiais de terem feito o estrago ao disparar o gás lacrimogêneo. Um advogado da OAB saiu da 9ªDP e informou que todos os 29 detidos já foram liberados. Para evitar represálias dos policiais, todos os manifestantes vão se encaminhar em grupo para a estação de metrô no Largo do Machado para se dispersarem.
Antes, as ruas Pinheiro Machado e Coelho Neto, assim como o viaduto Engenheiro Noronha, chegaram a ser fechados por volta das 19h, mas já foram liberados ao tráfego em ambos os sentidos, após a saída dos manifestantes. No caminho para a delegacia, eles voltaram a deixar um rastro de destruição: na Rua do Catete, que foi interditada, portas de vidro de dois bancos foram quebradas, assim como o vidro de um ponto de ônibus. A Rua Pedro Américo também foi interditada, na altura da Rua do Catete. Segundo a concessionária MetrôRio, por causa da manifestação, o acesso Palácio da estação Catete e a estação Largo do Machado foram fechados. Os acessos Outeiro e Catete da estação Glória também chegaram a ser fechados, mas já foram reabertos.
Durante o protesto, usuários de crack e moradores de rua aporveitaram para saquear o supermercado Extra, em frente à estação de metrô do Largo do Machado, por volta de 21h. O grupo de cerca de dez pessoas teria aproveitado que o policiamento estava concentrado no entorno do Palácio Guanabara, por conta dos protestos, e invadiu o local. Armados com facas de cozinha, eles levaram colchões, edredons e alimentos. A invasão causou pânico entre clientes e funcionários. Os invasores não foram incomodados pelos seguranças do supermercado, que ignoraram o ocorrido, segundo clientes. Os invasores entravam em grupos e, depois de vinte minutos saqueando o supermercado, a PM chegou ao local e conseguiu resgatar alguns dos itens roubados.
A confusão em frente ao palácio aconteceu por volta das 20h. Depois de intensas provocações, como gritos de "cachorrinhos do Cabral", teve início um confronto entre manifestantes, que arremessaram pedras, e policiais, que lançaram bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e dispararam tiros de balas de borracha. Pelo menos quatro pessoas ficaram feridas. A polícia usou jatos d'água para dispersar os manifestantes.
Uma van da empresa Fiel Turismo ficou presa no trânsito da Rua Pinheiro Machado, quando os policiais fizeram o bloqueio em torno do Palácio Guanabara. Após cerca de 30 minutos, a polícia realizou uma operação para que a van seguisse em direção a Botafogo. Os manifestantes tentaram se aproveitar da passagem do veículo para romper o bloqueio e foram rechaçadas com escudos pela força policial. Neste momento, houve o confronto. Os manifestantes também quebraram lixeiras e pelo menos um orelhão na Pinheiro Machado. Os policiais que formaram o bloqueio na via marcharam em direção aos manifestantes, fazendo com que eles recuassem. Outros policiais do Batalhão de Choque, acompanhados por um carro blindado, o caveirão, desceram o viaduto que liga Laranjeiras ao Catumbi e dispararam os tiros de balas de borracha.
O tenente-coronel Mauro Andrade afirmou que policiais cercaram todas as ruas de acesso ao Palácio Guanabara, bloqueando qualquer espécie de acesso aos manifestantes. Eles estavam concentrados na Praça São Salvador, em Laranjeiras, e seguiram para Rua Pinheiro Machado, onde fica a sede do Governo Estadual. A Polícia Militar fez uma barreira na Rua Paissandu, perto da Rua Pinheiro Machado, em frente ao Palácio Guanabara, para impedir o acesso dos manifestantes. Cerca de 30 policiais com escudos, cassetetes e outras armas não-letais fizeram a contenção.
- Os manifestantes terão que ficar dando voltas no bairro. Vamos ver o que vai acontecer - disse, antes, o tenente-coronel.
O grupo de manifestantes chegou a se dividir. Pessoas voltaram pela Rua Paissandu para tentar chegar ao Palácio por outra via. Parte dos manifestantes desceu o Viaduto Engenheiro Noronha.
A Rua Pinheiro Machado chegou a ser fechada nos dois sentidos. No sentido Botafogo, o trânsito foi bloqueado a partir do Viaduto Engenheiro Noronha. Já em direção a Laranjeiras, o tráfego interditado desde a Praia de Botafogo (Viaduto Santiago Dantas). A Rua Coelho Neto também foi fechada momentaneamente devido à passagem do grupo. O viaduto Engenheiro Noronha foi fechado ao trânsito, no sentido Botafogo. Os veículos foram desviados para a Rua das Laranjeiras. O trânsito está intenso em toda a região.
Cadeirante ficou à frente da passeata; um homem chegou a ser detido
Mais cedo, uma cadeirante, a funcionária do Ministério Público Tifany Siks, de 32 anos, foi levada à frente da manifestação pelo tenente-coronel Mauro Andrade. O policial é comandante do Grupo de Policiamento de Proximidade, que acompanhava a manifestação. Tifany fez questão de participar do movimento. Em sua cadeira de rodas, ela leva um cartaz com a frase "Fora Cabral." Segundo Andrade, ele decidiu ajudar a manifestante porque ela queria ir na frente:
- Ela quer ir na frente, então estou ajudando.
Danilo Cunha de Jesus dos Santos, 22 anos, que havia sido detido por ter sido flagrado pichando a fachada de um prédio na esquina das ruas Paissandu e Presidente Carlos de Campos, foi liberado no início da noite pela PM, uma vez que o síndico do imóvel não quis fazer uma representação contra o rapaz. O grupo de manifestantes que o acompanhava comemorou a liberação de Danilo, que se comprometeu com o síndico e com a PM a retornar mais tarde para fazer a limpeza.
Os advogados da OAB que acompanhavam os manifestantes haviam dito que o jovem não poderia ser levado para a delegacia pelo que se caracterizava como uma contravenção. Os advogados argumentaram que o jovem só poderia ser levado se o síndico do prédio pichado prestar queixa. Um grupo de manifestantes cercou a polícia e gritou "libera, libera." Eles, porém, desistiram e continuaram em direção ao palácio, deixando os advogados para cuidar do caso do rapaz.
Na concentração para o início da manifestação, policiais militares fizeram uma varredura no local para recolher objetos que pudessem ser utilizados em agressões ou depredações. Foram recolhidos um martelo e três garrafas. Segundo uma moradora da região, o martelo pertenceria a um morador de rua que costuma armazenar objetos e papelão na São Salvador. Algumas pessoas foram revistadas.
Rio teve outros protestos nesta quarta
Já na Rocinha, aconteceu uma outra manifestação para lembrar um mês do desaparecimento do pedreiro Amarildo de Souza, de 42 anos. A Autoestrada Lagoa-Barra e os túneis Zuzu Angel e Acústico chegaram a ser fechados nos dois sentidos.
No fim da manhã, outro protesto, de professores das redes municipal e estadual em greve desde a semana passada, fechou vias importantes da Zona Sul durante a tarde. A Rua São Clemente, em Botafogo, ficou interditada em toda a sua extensão até as 15h, já que a manifestação terminou em frente ao Palácio da Cidade. Segundo policiais militares e organizadores, pelo menos sete mil pessoas participaram do ato, mas não há estimativa oficial. Os professores reivindicam 19% de reajuste, um plano de carreira para todo o funcionalismo e autonomia pedagógica.
Em outro ponto da cidade, no Centro, um grupo de manifestantes que estava do lado de fora da Câmara Municipal do Rio provocou um princípio de tumulto no fim desta tarde. Os manifestantes cercaram a entrada do legislativo pela Rua Alcindo Guanabara e Senador Dantas. Eles arremessaram pedras e ovos em direção à Casa, onde ocorreu, mais cedo, um encontro entre os manifestantes que estão dentro da Câmara e o presidente da Casa, o vereador Jorge Felippe (PMDB). Na hora da confusão, o vereador Luiz Carlos Ramos (PSDC) teve que deixar o legislativo correndo. Os manifestantes atiraram pedras em direção a Ramos e acabaram atingindo uma mulher. Alguns ônibus foram danificados.




JOSENY LOPES 15082013
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