sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Roriz sobre Liliane: “Se todos a querem como vice, por que não governadora?”

Roriz sobre Liliane: “Se todos a querem como vice, por que não governadora?”
Leonardo Motta Neto – Carta Polis
“Conversa da Catedral” é um afamado romance do peruano Mário Vargas Liosa. Só que no livro, Catedral referia-se a um famoso bar (La Catedral) de Lima, onde um jornalista dialoga com dois amigos, na época do ditador general Manuel A. Odría, de 1948 a 1956. Desses papos de boteco emerge um Peru cruel, corrupto, desesperançado que serviu de matéria-prima para a construção desta obra.
Em Brasilia, é Catedral de Brasilia, mesmo. Lá se desenrolou uma cena nada mística, profana mesmo, que tem a ver com a eleição para governador do Distrito Federal.
Na nave do templo, o ex-governador Joaquim Roriz, cujo apoio é disputado por nove entre dez candidatos ao Palácio do Buriti –, pois ele próprio está impedido de concorrer – encontra-se, “por acaso”, com seu ex-afilhado e ex-aliado, o vice-governador Tadeu Filippelli, e citado nas rodas políticas da capital como pretendente à cadeira de governador.
Daí foram geradas diversas versões sobre o encontro. Colocamos por acaso entre aspas porque o vice tinha que aparecer na Catedral (não no bar limenho, mas na Catedral propriamente dita, justo no momento em que lá estava em contrição o ex-governador, fervoroso católico. Catedral não é lugar para conchavo (no bar de Lima, sim).
Filippelli – todos sabem – sonha em ter o ex-padrinho o apoiando para governador. Mas, brigaram há anos, e briga foi feia porque envolveu o parentesco com Dona Weslian.
Vem daí uma das versões, talvez a mais consistente, porque elaborada por pessoas que bem conhecem o vice: não se crê que Filippelli, por ser do ramo, tenha se confundido com a troca de abraços com Roriz na Catedral.
Mas, competente que é, soube aproveitar, e muito bem, aquele o momento de fraternidade
cívico-cristã, e ainda não político-eleitoral. Ainda.

Confundiu o mundo político e as mídias de Brasília, que, naquele amplexo, julgaram estar a ressurgir a antiga aliança.
Observando-se, porém, as imagens daquele instante (fotos e vídeos), porém, os portadores dessa versão não notam gestos afetivos e espontâneos do ex-governador para com o seu ex-pupilo e afilhado.
Roriz foi sóbrio, porém cerimonioso e educado, como o ambiente. Não era a Catedral de Lima, mas a de Brasilia, afinal.
Diferente seria se, do abraço, durante ou após, houvesse efetiva “conversa na Catedral“; ou, como poderia ter acontecido, “conversa após Catedral“. Não aconteceu nenhuma delas – reforçam os rorizistas mais conhecedores do gestual do ex-governador.
Tais espacialistas preferem insistir numa via de interpretação dos passos mais recentes de Roriz: dar todo o apoio à sua filha, a deputada distrital Liliane Roriz, como candidata a governadora.
Anotam os defensores dessa equação os seguintes argumentos favoráveis:
1) Além das qualidades de reflexão, ação, responsabilidade social e articulação políticas que Liliane vem demonstrado nesse curto tempo de mandato na Câmara Legislativa, é nos contatos com as pessoas nas comunidades, carentes ou não, que mostra o quanto herdou da carinhosa simpatia do pai; e que, também, vemos aflorando os dotes do carisma do “Seu Joaquim“ – como Roriz é chamado pelos fieis e agradecidos eleitores.
2) Todos, Filippelli, Regufe, Rolemberg, Cristovam, Abadia, Arruda e quem de mais desejar ser candidato – mas todos mesmo – sonham e querem ter Liliane para vice nas suas possíveis chapas.
O que fez Roriz raciocinar:
“Por que não governadora?”
Portanto: Liliane candidatíssima.

JOSENY LOPES 16082013
Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial