sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Foi-se o compromisso com Aécio

Washington esvazia de vez o PSD

Segunda maior bancada da Câmara Legislativa, com quatro distritais, o PSD deve terminar a legislatura com zero. Já perdeu Eliana Pedrosa, Celina Leão já avisou que sai, Liliane Roriz tem destino certo e Washington Mesquita (foto) filia-se na quarta-feira ao PTB. Pesou contra o PSD menos a sua estrutura — foram seus organizadores que conseguiram na Justiça Eleitoral o princípio de que, ao aderir a novo partido, deputados levam consigo tempo de TV e dinheiro do Fundo Partidário — e mais o fato de ter servido como veículo para detentores de mandato em busca de alvará de soltura. No caso do Distrito Federal, pesou também a constatação, óbvia, de que o PSD não teria como garantir reeleição para seus recém-adquiridos distritais. Washington comunicou ontem mesmo sua saída ao partido.

Redutos eleitorais

Washington Mesquita leva para o PTB um sólido dote de votos católicos, abençoados pelo fortíssimo padre Moacir Anastácio. No seu atual mandato, o primeiro, trabalhou muito para ampliar esse rebanho. Também tem bases eleitorais fortes em Taguatinga, onde foi muito votado três anos atrás, e onde indicou o administrador regional Carlos Jales.

Para facilitar a reeleição 

Sua filiação ao PTB foi muito negociada com o presidente regional, senador Gim Argello, que lhe garantiu espaço na Executiva. Washington convenceu-se também que a nominata do PTB favorece sua reeleição, na medida em que a legenda pode sonhar com três ou até quatro cadeiras na Câmara Legislativa. Em especial, diz, se o distrital Cristiano Araújo recuar  na disposição de deixar o partido.

Partido para chamar de seu

Washington Mesquita sabe também de conversas de Gim Argello com o ex-senador Paulo Octávio. É verdade. Os dois se encontraram sábado em um evento de Sobradinho. A partir daí não teve mais conversa para ninguém. Pesa contra a aliança, porém, o fato de que ambos sabem que cada um precisa de um partido para chamar de seu. 

Controle do PP vira novela

Virou novela o controle do PP brasiliense. Deu-se como certo, ainda no primeiro semestre, que passaria ao controle do ex-senador Paulo Octávio. A essa altura, seu presidente regional Benedito Domingos falava em não disputar mais eleições, decisão que aparentemente ainda vale. Paulo Octávio entrou em fase de muda e a direção nacional acertou-se com o deputado federal Ronaldo Fonseca. Do começo da semana para cá a negociação começou a deteriorar.

Deputado vai para o novo Pros

Ronaldo Fonseca encontrou resistências, especialmente no partido pelo qual se elegeu, o PR. A direção acenou com a possibilidade de reclamar seu mandato na Justiça Eleitoral. Fonseca até poderia alegar falta de clima para permanecer na legenda. O TSE costuma aceitar a argumentação relativa a medidas internas que escanteiam detentores de mandato — e seria justamente o caso do deputado, apeado da presidência regional por um ato da cúpula. Mas sempre haveria um risco. De quebra, Benedito Domingos e a direção nacional do PP começaram a se desentender. Fonseca preferiu filiar-se ao Pros, em que entrará com a salvaguarda de ser considerado fundador. Presidirá o novo partido no Distrito Federal.

Janela da vez

Justamente por ser a janela da vez o Pros pode ser também o destino do distrital Cristiano Araújo, outro que andou falando com o PP. Nas últimas conversas que tiveram, o senador Gim Argello tornou claro que o PTB reclamaria o mandato de Araújo. O distrital já sabe até as alegações que faria em sua defesa. Diria que foi excluído de todas as inserções do PTB na televisão e que, mesmo sendo vice-presidente, nunca foi convidado para reuniões da Executiva Regional. Mas, igualmente, não quer correr um risco dispensável.

Foi-se o compromisso com Aécio

A opção do ex-governador Joaquim Roriz pelo mais-que-nanico PRTB terá dois efeitos imediatos. Primeiro, libera Roriz de qualquer entendimento anterior com o senador Aécio Neves, que deveria receber seu apoio caso filiado ao PSD ou ao DEM. Abre assim possibilidades de acerto com Marina Silva ou Eduardo Campos. Segundo, sinaliza que, mesmo abrigado em sua microlegenda, Roriz terá de fazer coligações. Vá lá que, conhecido no Distrito Federal, ele não precisa de tanto tempo de TV, mas o espaço do PRTB é um dos menores de todos. 

Para apressar a votação

Por falar em Cristiano Araújo, ele fechou um compromisso com o Buriti, na condição de presidente da Comissão de Assuntos Fundiários da Câmara Legislativa.

Refere-se à tramitação do PPCUB e a Luos, que deverão ser votados ainda este ano. Pelo acerto, a Luos passará pelo plenário no final de novembro e o PPCUB, no início de dezembro. Os dois projetos serão objetos de ao menos seis audiências públicas, mas todas no âmbito da Comissão de Assuntos Fundiários, embora outras comissões devam participar. Isso evitará demora para os projetos. 

Arestas à vista

Como a 901 Norte foi retirada do PPCUB, os distritais mais interessados no projeto acreditam que os maiores arestas na tramitação surgirão ao se discutir o aumento do gabarito dos hotéis de três andares, a ocupação da orla do Lago Paranoá e a expansão dos edifícios público a partir da N2. Não serão, claro, as únicas.

Convicção

O novo Solidariedade conta com o deputado brasiliense Augusto Carvalho para assumir a presidência regional. 

Tá falado 

"Eu estava mesmo buscando uma saída do PSD, mas não imaginava que Deus me traria um presente como o ingresso no PPS. Lá, sinto-me resgatando minha juventude, no debate e na procura de alternativas. Para mim, é uma renovação". Eliana Pedrosa, deputada distrital, que se filiou ontem ao PPS
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