segunda-feira, 17 de março de 2014

“IMPRESCINDÍVEIS E DESPREZÍVEIS!” - POLICIAIS MILITARES


“IMPRESCINDÍVEIS E DESPREZÍVEIS!”

17032014


“Por que a polícia militar é importantíssima para preservação e manutenção da ordem pública e a paz social, e ao mesmo 
tempo é tão desvalorizada?” 

A desvalorização tem seu embrião dentro da própria instituição (legislação e cultura Policial Militar), com discriminações 
e preconceitos regulamentados advindos de outra instituição, onde ocorrem disparidades que não conciliam com os moldes de 
uma POLÍCIA CIDADÃ. Quem não tem uma história de injustiça e humilhação dentro dos quartéis? Cerca de 80% dos Policiais 
Militares queixam-se de problemas nas relações de trabalho e 39,5% de assédio moral ou escala de trabalho, a maioria dos 
abusos vem por parte de superiores hierárquicos (de acordo com pesquisa da USP). Há também que ressaltar as diferenças 
exorbitantes de salários, promoções, gratificações, auxílios, cargos de chefias e cursos, sendo que a maioria destes benefícios 
chega a ser privativos aos oficiais. Quem é contra a Hierarquia é contra a ordem! Chefias há em todas as organizações, são 
importantes e fundamentais, também é justo que quem exerce funções de maior responsabilidade tenha maiores salários e 
certas prerrogativas, mas que não sejam uns exaltados e outros discriminados, gotas para nós e rio para vós, como se uns 
fossem donos e os outros servos, uns nobres e outros plebeus. Desvalorização e desmotivação interna refletem no serviço 
externo, se o pai despreza o filho não será o vizinho que o valorizará! Temos que entender que hierarquia não é divisão de 
classes, e disciplina não é sujeição! 
Os governantes e Políticos investem pouco em instalações, equipamentos e treinamentos de segurança, pagam mal aos 
policiais, não desenvolvem políticas públicas e projetos sociais de médio e longo prazo que sejam eficientes e eficazes e 
investem pouco em Educação. Lançam planos de segurança imediatistas e paliativos ludibriando a sociedade, fazendo com que a 
polícia enxugue gelo e passe por incompetente, criam leis brandas que favorecem a impunidade. Usam as Polícias Militares, a 
maior instituição de segurança pública e social do Brasil em efetivo, atuação e ações, como curinga, fazendo o serviço das outras 
instituições, mas, no entanto, sem dar o mesmo valor. 
A imprensa, por outro lado, parece ter certo preconceito, procuram sempre criticar as ações da polícia Militar, 
boicotam ações positivas e dão grande ênfase aos erros. Os apresentadores de tele-jornais sempre dão seus pareceres sem 
embasamento especializado e científico, manipulando a opinião pública e depreciando e ultrajando a imagem de uma 
instituição, em que seus integrantes são profissionais engajados e comprometidos com essa nobre missão (proteger e salvar 
vidas) sem um direito de resposta à altura. Chama-se a atenção também o fato dos governantes investirem cada vez mais em 
publicidade nestas empresas midiática, deixando em cheque a imparcialidade das notícias. 
A sociedade brasileira se exime da responsabilidade, usando a Polícia como bode expiatório, pois a criminalidade é 
consequência da degradação social, desestruturação familiar e desigualdades e não culpa da Polícia. O cidadão acha que luta 
contra a criminalidade é uma guerra particular entre a Polícia e bandido, engana-se, pois a polícia é apenas uma ferramenta da 
sociedade de controle da violência e criminalidade, sendo que esta luta é social e não individual, pois o Policial não é onipotente, 
onisciente e onipresente. Hoje, a polícia age sem garantias legais, não tem o amparo do Estado e nem o apoio da comunidade 
(70,1% da comunidade não confiam na Polícia). Os Policiais estão exaustos e acuados, pois sofrem todos os tipos de pressões e 
riscos físicos, psicológicos, administrativos e jurídicos, pois ao invés de serem a última alternativa para segurança, estão sento 
todas, e a única em atuação. Tem que se admitir também, que a falta de conduta, preparo emocional e técnico-profissional de 
alguns policiais contribuem muito para essa realidade, fora o estigma de MILITAR x PAISANO, que se agrava por estarmos em 
uma democracia. 
O policiamento comunitário veio como uma solução, pois uniria a sociedade e a polícia e demais órgão públicos 
(multiagencialidade), onde a Polícia faria apenas seu serviço social de SEGURANÇA, e não os projetos sociais de responsabilidade 
de outras instituições que deveriam cumprir seu papel institucional também. Mas se torna quase incompatível ter esta junção 
em uma organização centralizadora (Militar), e também temos que admitir que o militar é formado para mandar e obedecer e 
não para negociar. Querem uma Polícia de controle ou Cidadã? Querem uma Polícia de Segurança Nacional ou de Segurança 
Pública? A solução seria mesmo uma polícia não militarizada, chocando-se menos e entendendo mais os direitos de liberdade, 
tanto para quem é prestado o serviço, que é a comunidade, como para quem presta o serviço, que é o policial, isso é 
humanização do serviço policial. Aí sim, seríamos valorizados, deixaríamos de ser meros números e elementos de execução, para 
sermos humanos que protegem humanos! 

Robson Dias 

“Nós queremos que a Pátria nos ame, nosso brio e valor tendo em conta, e que ao ser ofendida nos chamem, para irmos vingá-la da afronta”. 
(Canção da PMDF) Letra: SGT PM Guilherme Cruz 


Fontes de pesquisa: Diretrizes para uma Polícia Cidadã; Tese de doutorado da socióloga e pesquisadora do Núcleo de Estudos da Violência da USP - Viviane de Oliveira Cubas; ICJBRASIL, FGV, FBSP (70,1% da população não confiam no 
trabalho das diversas polícias no País); Manual de Policiamento Comunitário; RDE; Código de Ética PMDF; Lei de Segurança Nacional (LSN); CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988. 
Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial