quinta-feira, 22 de maio de 2014

Médico acusado de abuso é ouvido e rebate alegações

Médico acusado de abuso é ouvido e rebate alegações

Suspeito afirmou que procedimento usado no toque é padrão. Uma quarta mulher alega ter sido vítima

Eric Zambon
eric.zambon@jornaldebrasilia.com.br


Denunciado por supostamente ter cometido abusos sexuais contra pacientes, o  médico  cubano L.E.M. foi ouvido pela polícia de Luziânia (GO), na Região Metropolitana do DF. Após  mais de três horas de depoimento, o profissional foi liberado da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam).  Por enquanto, ele não é formalmente acusado e a delegada espera fechar o inquérito sobre o caso em até 20 dias. 
A delegada Dilamar de Castro contou que, durante a conversa com o suspeito, ele parecia muito ansioso e “foi metódico ao dar respostas, além de um pouco vago”. L.E.M. negou as acusações feitas pelas quatro mulheres e teria afirmado que o procedimento de toque empregado é comum. “Ele disse que cada exame não durou mais do que dois ou três minutos. E também negou ter falado coisas libidinosas às pacientes”, relatou a delegada.

O cubano ainda teria afirmado que está respaldado por protocolos para fazer exames de toque antes da 38º semana de gestação e atribuiu algumas denúncias a má interpretação. 
“Ele se lembrou de uma das mulheres. Disse que teve dificuldades de comunicação com ela e admitiu ter manipulado os seios dela, mas como forma de demonstrar um procedimento que ela poderia fazer em caso de dor”, revelou Dilamar.
Unidade
O posto de saúde do Parque Alvorada, onde os abusos teriam acontecido, fica relativamente afastado do centro de Luziânia e atende, de maneira geral, a pessoas de baixa renda. As condições do local não seriam as ideais, e essa teria sido, também, uma das reclamações do cubano.
“Ele disse que não tinha macas adequadas para as pacientes. Iremos ao local conversar com enfermeiras e agentes de saúde para entender a situação”, concluiu a delegada. 
Opiniões divididas
O JBr. esteve no posto de saúde. A enfermeira-chefe, que não se identificou, disse não ter nada a declarar, pois já havia conversado com a polícia. Uma agente de saúde afirmou ter tido muito pouco contato com o cubano e, portanto, preferiu não emitir opinião sobre o caso. Quem se dispôs a falar foram duas pacientes de L.E.M.
Mônica Souza, de 25 anos,  se surpreendeu com as denúncias. Há duas semanas, ela foi atendida pelo suspeito e disse, inclusive, ter descoberto estar com anemia devido aos procedimentos do profissional. “Aqui a gente já não tem médico. Precisamos ir para Brasília para ser medicado, até para parto. É uma pena que quando chega uma coisa boa, aconteça isso”, lamentou.
Uma mãe, que preferiu se identificar apenas como Suélen, disse “não ter nada a declarar contra o médico”, pelo contrário. “Ele acompanhou a minha gestação e os exames que eu tinha que fazer  era ele quem fazia. Fiquei surpresa com a notícia e assustada, como qualquer um ficaria”, disse.
Nova ocorrência
No entanto, uma nova suposta vítima   denunciou o médico   à Deam. A mulher teria 30 anos e, segundo a delegada Dilamar de Castro, teria “falado com muita firmeza”. É a quarta pessoa a registrar boletim de ocorrência.
“Ela já teve o bebê e nos contou que L. perguntou recentemente se ela já havia voltado à vida sexual, o que a deixou constrangida”, disse Dilamar. “O que mais a perturbou foi com o fato de ela ter procurado o médico para cuidar do filho, não dela”, contou.
Saiba mais
A equipe do JBr foi ao prédio onde mora L.E.M., por volta das 16h, mas não obteve resposta pelo interfone. Um funcionário do edifício informou que o médico, morador do local há pelo menos cinco meses, raramente é visto circulando pelo condomínio e seria bastante reservado, mesmo antes das denúncias. 
Após sair pela manhã para ir à delegacia, o cubano  não teria voltado para casa. Ele estaria acompanhado por um advogado. 
O médico está afastado do cargo até a conclusão das investigações.
Fonte: Da redação do Jornal de Brasília
SGT JOSENY LOPES 
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