quinta-feira, 29 de maio de 2014

Pai de Bernardo Boldrini depõe com detector de mentiras em presídio

Pai de Bernardo Boldrini depõe com detector de mentiras em presídio

Advogado afirma que Leandro respondeu cerca de 40 perguntas.
Depoimento durou duas horas na Penitenciária de Charqueadas.

G1 RS
No porta-retrato, o médico Leandro Boldrini com o filho Bernardo, encontrado morto no dia 14 de abril (Foto: Jonas Campos/RBS TV)Foto no quarto de Bernardo mostra menino com o
pai (Foto: Jonas Campos/RBS TV)
O médico Leandro Boldrini, réu pela morte do filho Bernardo, de 11 anos, depôs na tarde desta quinta-feira (28) sob a análise de um detector de mentiras, conforme autorizado pela justiça. O advogado de defesa do pai da criança, Jader Marques, afirmou ao G1 que não acompanhou o depoimento e apenas conduziu Boldrini até a sala em que as perguntas seriam feitas pelo perito que realizou o exame.
De acordo com ele, a informação preliminar é de que o laudo deve ser entregue na próxima sexta-feira (28). Ao todo foram feitas cerca de 40 questionamentos ao médico na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC) durante duas horas.
Conforme o Tribunal de Justiça, a solicitação foi feita pelo advogado Jader Marques, defensor de Boldrini. O Ministério Público Estadual (MP) concordou, fato levado em consideração na decisão judicial. No pedido protocolado na Justiça, a proposta do defensor era submeter o cliente ao teste para verificar a veracidade das informações prestadas.
O corpo de Bernardo, que tinha 11 anos, foi encontrado enterrado em 14 de abril em uma cova em um matagal no município de Frederico Westphalen, na Região Norte do Rio Grande do Sul, a cerca de 80 km de Três Passos, no Noroeste, onde o garoto morava. Acusados de homicídio, o pai da criança, a madrasta Graciele Ugulini e a amiga Edelvania Wirganovicz são réus no processo. O irmão de Edelvania Evandro Wirganovicz é acusado de ocultação de cadáver. Os quatro estão presos.
Antes da conclusão do inquérito policial, a delegada Caroline Bamberg, responsável pelo caso, afirmou ter pedido a Marques que Leandro fosse submetido ao detector de mentiras. "Na época, não houve resposta da defesa", disse ela ao G1. No dia 21, o último suspeito preso pelos assassinatos, Evandro Wirganovicz, foi interrogado no Fórum de Três Passos com o uso do equipamento. Os resultados não são imediatos, pois dependem de perícias.
Evandro foi preso neste sábado (10) em Frederico Westphalen (Foto: Fábio Pelinson/Jornal O Alto Uruguai)
Evandro foi preso em Frederico Westphalen
(Foto: Fábio Pelinson/Jornal O Alto Uruguai)
Indiciamentos
O pai, a madrasta e a assistente social foram indiciados pelos crimes de homicídio qualificado, com os qualificadores "mediante paga ou promessa de recompensa, motivo fútil, meio insidioso, dissimulação e recurso que impossibilitou a defesa da vítima", conforme a polícia, e ocultação de cadáver.

Leandro Boldrini: atuou no crime de homicídio e ocultação de cadáver como mentor, juntamente com Graciele. Ele também auxiliou na compra do remédio Midazolan em comprimidos, fornecendo a receita azul. Leandro e Graciele arquitetaram o plano, assim como a história para que tal crime ficasse impune.
Graciele Ugulini: mentora e executora do delito de homicídio, bem como da ocultação do cadáver.
Edelvânia Wirganovicz: executora do delito de homicídio e da ocultação do cadáver.
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Bernardo Boldrini Três Passos (Foto: Reprodução/RBSTV)
Bernardo Boldrini morava em Três Passos, no RS
(Foto: Reprodução/RBSTV)
Entenda
Conforme alegou a família, Bernardo teria sido visto pela última vez às 18h do dia 4 de abril, quando ia dormir na casa de um amigo, que ficava a duas quadras de distância da residência da família. No domingo (6), o pai do menino disse que foi até a casa do amigo, mas foi comunicado que o filho não estava lá e nem havia chegado nos dias anteriores.

No início da tarde do dia 4, a madrasta foi multada por excesso de velocidade. A infração foi registrada na ERS-472, em um trecho entre os municípios de Tenente Portela e Palmitinho. Graciele trafegava a 117 km/h e seguia em direção a Frederico Westphalen. O Comando Rodoviário da Brigada Militar (CRBM) disse que ela estava acompanhada do menino.
"O menino estava no banco de trás do carro e não parecia ameaçado ou assustado. Já a mulher estava calma, muito calma, mesmo depois de ser multada", relatou o sargento Carlos Vanderlei da Veiga, do CRBM. A madrasta informou que ia a Frederico Westphalen comprar um televisor.
O pai registrou o desaparecimento do menino no dia 6, e a polícia começou a investigar o caso. Na segunda-feira, 14 de abril, o corpo do garoto foi localizado. De acordo com a delegada responsável pela investigação, o menino foi morto por uma injeção letal.
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