segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Enterro de Cabo Renato (PMDF) é marcado por união policial e hostilidade ao governador do DF



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Morto na sexta-feira (5/Fev) durante uma ação policial, após a viatura capotar e colidir contra um poste na BR-070, próximo a Águas Lindas de Goiás (GO). O corpo do Policial Militar (PM), Renato Fernandes da Silva, foi velado, no Cemitério de Taguatinga. Durante o cortejo e o enterro foi acompanhado com presença maciça das diversas forças policiais que atuam no DF, em Goiás e até da Força Nacional, com cerca de 4.000 pessoas, de acordo com um PM que esteve no local. O governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), esteve no velório e foi hostilizado pelos profissionais de segurança pública.

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Cabo Renato, morto em serviço após capotagem de viatura  Foto: Reprodução
Aos 37  anos, 13 de corporação, motorista do Grupo Tático Operacional da PM (GTOP), lotado no Segundo Batalhão de Polícia Militar (2º BPM) de Ceilândia, Cabo Renato,  como era conhecido, casado há dez anos, com um filho de oito anos e a esposa grávida de dois meses. Exemplar, o Cabo somava 87 elogios na alforja além de ser querido pelos colegas de trabalho.
Mas Cabo Renato perdeu a vida. Em uma manobra na direção de uma Mitshubishi Pajero Dakar, se tornou protagonista da uma tragédia há muito anunciada no DF. O Militar foi enterrado com as honrarias de um herói, não somente por cumprir o difícil ofício de combater a endemia da marginalidade no DF, mas, por ser o policial, pai de família, que perdeu a vida pela omissão do Estado em relação a dar as condições adequadas para que esses profissionais possam atuar no exercício de suas funções, com o mínimo de segurança.
Defeito de fábrica ou falta de manutenção?
As 318 viaturas Pajero foram compradas pela PMDF em 2012 sob justificativa de serem veículos ágeis, robustos e confortáveis para o bom desempenho da Segurança Pública, embora analises técnicas demonstrem critérios não atendidos. Porém desde então, sucessivos problemas apresentados pelo uso da frota tirou vida além de deixar policiais feridos, alguns com graves sequelas.
Sem a manutenção periódica, conforme o cronograma estipulado pelo fabricante, de forma preventiva, as viaturas da PM há anos vem passando por um processo de sucateamento nos pátios dos batalhões da PM.
Somente em 2015 ao menos quatro capotamentos de viaturas da PM foram registrados no DF. Esses acidentes chegaram a levar comando da PM a redefinir o uso dos veículos (Abr/2015). Na ocasião se estabeleceu que os veículos ‘altos’, não deveriam mais ser utilizados por grupamentos que trafegam em alta velocidade, em funções de patrulhamento tático ou rondas ostensivas. A PM anunciou a limitação da velocidade máxima da frota em 60 quilômetros por hora (Abr/2015).
Capotagens recorrentes

Além do acidente que vitimou Cabo Renato e deixou outros três policiais feridos… Outro havia acontecido, em menos de 24 horas (5/Fev). Nela, duas outras viaturas capotaram, na mesma ocorrência, durante uma perseguição a um veículo roubado, no Setor de Autarquias Sul, bairro de Brasília, felizmente, sem vítimas fatais.
Em 2 de abril de 2015 uma viatura da PM capotou e deixou três policiais feridos na DF-483, perto do Presídio Feminino Colmeia entre Gama e Santa Maria, regiões administrativas do DF. Outro capotamento aconteceu em Ceilândia Norte foi próximo ao viaduto do Metrô da região (23/Ago/2015). E há ainda o registro de um terceiro, naquele ano, na via que divide as RAs de Recanto das Emas e Riacho Fundo II, do 28 BPM do Riacho Fundo.
Rollemberg lamenta
Rollemberg se pronunciou por meio de nota à imprensa na ocasião da morte de Cabo Renato (5/Fev): “Lamento profundamente a morte do policial Renato Fernandes e me solidarizo com a família, com os amigos e com toda a corporação da Polícia Militar. É uma perda irreparável. Temos que reconhecer e valorizar a bravura, coragem e dedicação dos policiais militares, que arriscam a vida para proteger a população.”.
No entanto, o lamento de Rollemberg não o poupou de ser hostilizado ao ser fazer presente no enterro do Militar. A comunidade policial, com déficit de pessoal, reivindicações de promoções e, principalmente, o sucateamento de viaturas e estruturas para atendimento à população, tomaram a morte de Cabo Renato como o estopim de cria um novo momento, baseado na união das forças policiais para deixar claro que querem e precisam de mudanças.
Será em vão?
A comunidade policial e a população do DF torce para que o lamentável protagonismo Cabo Renato, pode não ser em vão, caso sirva de alerta para que o governo observe que a segurança pública do DF passa, necessariamente, pela valorização das forças policiais do DF. Como publicou o oficial da PM, tenente Poliglota:
“Enquanto todos dormem, eu estou em lugares inimagináveis, matagais intransponíveis, bueiros fétidos, casas abandonadas, entre outros lugares a que alguém normal se recusaria ir;
Enquanto todos dormem, eu estou em alerta máximo, tentando não apenas defender pessoas que nunca vi, nem mesmo conheço, mas também tentando sobreviver;
Enquanto todos dormem no aconchego de suas casas debaixo dos cobertores, eu estou nas ruas debaixo da forte chuva, com frio e cansado madrugada adentro;
Enquanto todos dormem, eu estou travestido de herói e mesmo não tendo superpoderes estou pronto para enfrentar o perigo, para desafiar a morte e, ‘quiçá, sobreviver’;
Enquanto todos dormem, eu estou dividido entre o medo da morte e a árdua missão de fazer segurança pública;
Enquanto todos dormem, eu sonho acordado com um futuro melhor, com o devido respeito, com um justo salário, com dias de paz, mas principalmente com o momento de voltar para casa e de olhar minha esposa e meus filhos e dizer-lhes que foi difícil sobreviver a noite anterior, que foi cansativo e até frustrante, mas que estou de volta e que tenho por eles o maior amor do mundo. 
Esse texto eu dedico a todos os policiais que, como eu, só desejam voltar para casa vivos.”


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